, 4/9/2010
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Laert Yamazaki
laert@ideia3.com.br

Graduado em Arquitetura e Urbanismo, pós-graduado em Design, professor da Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC) no curso de Hipermídia, tem longa experiência na área de mídias interativas. Atualmente Diretor da Idéia 3 Digital, cria projetos interativos e briga diariamente com a agenda para fazer tudo o que precisa e gosta.
Carta ao Papai Noel


Prezado Papai Noel,

Desculpe estar escrevendo depois de tanto tempo. Provavelmente você deve estar estranhando este e-mail (alguém ainda manda cartas de papel para você?) de um adulto, não é? Mas eu resolvi deixar as atitudes sociais de lado e entrar em contato com você para contar as novidades e o que faço atualmente.

Depois do complô que fizeram contra você - até a minha mãe me falou que eu estava grande demais para acreditar em Papai Noel - a magia e espectativa do Natal não eram mais as mesmas. Tudo bem que a data é importante mas a celebração maior é porque temos um feriado prolongado e muita comida.

Atualmente quem manda na gente é o tempo. O tempo que nós tínhamos para brincar e sonhar foi todo convertido em responsabilidades. É job, correria pra entregar os projetos, prazos, clientes, telefonemas, reuniões, "troca essa cor", "muda esse texto" e milhões de coisas na pauta nossa de cada dia. Ainda bem que você é um excelente gerente de projeto. Ninguém sabe gerenciar o tempo tanto quanto você. Eu sempre me perguntava como é que você conseguia distribuir tanto presente em apenas uma noite. Até questionei recentemente se você não tinha uma mãozinha dos Correios ou se tinha alguma parceria com um site de comércio eletrônico e um sistema de distribuição impecável. Mas lembrei que você já fazia isso muito antes da internet chegar.

O fato é que eu ainda sou grato por trabalhar com criação, o que me reserva uma justificativa para sonhar mais do que os outros que trabalham em outro segmento do mercado. Mas como você sabe, tudo tem seu preço. Talvez o preço que eu pague com transtornos de prazo, fornecedores, clientes e burocracias fiscais ainda seja menor do que o meu lucro com o prazer de criar e emplacar um belo sorriso na cara do meu cliente.

Eu lembro das cartas desenhadas que fazia para você. Minha caligrafia espontânea, frases e pedidos sem compromissos com filtros econômicos. Eram desenhos legais, tinham muitas cores e representavam de forma lúdica um mundo sem tantas regras e delimitações. Hoje eu uso o Photoshop e o Illustrator. Fica tudo muito bonito mas perdi um pouco da espontaneidade, da alma do desenho com o lápis e a caneta.

Sabe Papai Noel, devo confessar que eu ainda brinco até hoje. E muitos dos meus amigos também. De vez em quando nós juntamos uma turma que gosta de jogar Playstation e gastamos horas na frente de um telão. Lembra daquele Atari que você me deu? Pois é, os joguinhos evoluíram bastante e hoje, em vez de comer tracinhos na tela, nós atropelamos pessoas e damos tiros em suas cabeças. Eu prefiro jogos de corrida mas já joguei essas distrações violentas. Tem ainda outra modalidade de brincadeira que fazemos no trabalho: o brainstorm. Aí é bem legal mas quanto mais o tempo passa mais a gente tem que falar sério.

Ah...e eu ainda brinco em casa com o meu filho. Sempre incentivo ele a ser o mais criativo possível e tento passar para ele a essência da criatividade. Ele tem sete anos e, pelo que eu percebo é um guri muito inteligente e criativo (herança genética paterna). Você sabe quem é. Sempre traz presentes pra ele no Natal. Esse ano ele deve mandar o e-mail no final de novembro.

As crianças são muito criativas e, pelo fato de ser um adulto hoje, não significa que eu tenha que perder essa característica. Eu preciso disso diariamente no meu trabalho. E todas as situações, todas as responsabilidades, toda a sociedade colaboram para que você seja uma pessoa adulta, chata e metódica.

Mas não fique preocupado pois, apesar de ter crescido (inclusive para os lados), eu continuo sendo um bom menino. Não uso drogas nem bebida alcólica, não roubo e não mato (a não ser em alguns jogos).

Engraçado que todos nós fomos encorajados e não acreditar mais em personagens como você (que é um bom velhinho) e passamos a acreditar em outros outros não tão velhinhos mas que também não são tão bons quanto divulgam as campanhas políticas.

Que bom poder mandar um e-mail para você depois de tanto tempo. Fico muito feliz em reservar um pouco do meu tempo para escrevê-lo. À propósito, procurei seu perfil no Orkut e não encontrei. Você pode me adicionar?

Aproveitando que estou finalizando este e-mail, gostaria de reviver os velhos tempos (sem ofensas) e queria pedir alguns presentes nesse Natal, pode ser? Então por favor, caso seja possível, gostaria de ganhar um carro novo, um apartamento maior, um Power Mac G5 quad, um iPod video, um Apple Cinema Display de 30" e cinco mil reais para gastar com livros.

Desculpe Papai Noel mas meus brinquedos e brincadeiras também cresceram.

Muito obrigado e Feliz Natal.

Publicado em 21 de dezembro de 2005
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